Jörn Rüsen procura estabelecer uma unidade do conhecimento histórico, tentemos seguir sua argumentação através destas citações do texto Reconstrução do passado: Teoria da História II:os princípios da pesquisa histórica.
•“(...) A pesquisa é o passo metodicamente regulado, e por isso intersubjetivamente controlável,das respostas possíveis às reais.
•A pesquisa é o trabalho de responder empiricamente às perguntas históricas.
•(...) A elaboração de questionamentos produtivos e hipóteses complexas de trabalho pertencem à pesquisa”(p. 105).
•A delimitação do campo de operações do conhecimento histórico passa pelo “critério da referência operacional à experiência”
“(...) as informações são elaboradas e ponderadas em relação direta com o testemunho empírico do passado – o que, quando, onde, como e por que foi o caso”. (p. 106)
•“(...) São as perspectivas teóricas sobre o passado humano que decidem o tipo de informação a ser extraído das fontes, e em que medida isso vai acontecer”.(p. 107)
São as regulações metódicas que possibilitam a unidade do conhecimento histórico. Estas regulações são: a formal, a material e a funcional.
•Regulação formal – sincronização do progresso cognitivo com a ampliação das perspectivas. (...) de uma hipótese questionadora resulta um saber empírico material (sempre passível e capaz de aperfeiçoamento). Ela compõe a estrutura de uma história;
•Regulação Material – “(...) A multiplicidade das experiências reais do passado humano é integrada, por meio da abordagem teórica do todo das experiências possíveis do passado, naunidade de uma estrutura categorial [CRITÉRIOS DE SENTIDO].” (p. 109)
•“(...) [Neste sentido] é determinante a identidade respectiva dos destinatários (potenciais), a quem são dirigidas as histórias cujos conteúdos são garantidos pela pesquisa.
•Materialmente (...) a unidade do conteúdo histórico, na multiplicidade dos vários procedimentos de pesquisa, é assegurada porque o progresso do conhecimento é dirigido para o movimento de reforço da identidade.
•É por causa desse reforço que a pesquisa é posta em ação.
•Regulação Funcional – orientação da vida humana prática mediante representações do passar do tempo.
Rüsen afirma que o conhecimento histórico pode ser definido como processo, uma vez que se entenda as histórias como respostas a perguntas e que se possa analisar o procedimento regulado, que leva das perguntas às respostas. São três as fases principais desse procedimento:
•Formulação da pergunta histórica – carências de orientação no tempo são enunciadas como perguntas históricas.
•Direcionamento às fontes – obter destas as informações necessárias para responder as perguntas.
•Formação da resposta histórica – formular as informações obtidas das fontes como respostas às perguntas postas.
Nosso autor ainda define alguns aspectos procedimentais e operacionais que regulam a pesquisa histórica:
•Heurística – procedimento de coletar, juntar de forma sistemática, de classificar as fontes relevantes, além do exame de seu potencial informativo (questionamento histórico; estabelecimento de hipóteses ainda não existentes) – o que se pode saber;
•Crítica – exame dos dados históricos sobre a verdade da ação humana no passado que se orienta por critérios de plausibilidade do potencial informativo das fontes (que dados devem ser buscados) – Autenticidade, qualidade, estruturas de veracidade;
•Interpretação – compreensão, explicação a partir de perspectivas teóricas com foco nas condições e conseqüências do que foi o caso. Eleva os dados do passado à condição de fatos históricos. Tornando compreensíveis os passos operativos da pesquisa, através de sua origem teórica.
O autor ainda afirma que:
•“(...) O que o pesquisador aborda e obtém das fontes, como conteúdo específico do movimento histórico nas mudanças temporais do homem e de seu mundo, não é uma questão de método, mas sim de teoria.
•As premissas teóricas... têm todavia conseqüências metodológicas.
•Elas definem tipos de procedimento metódico no contexto processual de heurística, crítica e interpretação." (p. 114)
Preocupado em estabelecer uma unidade metodológica do conhecimento histórico Rüsen define as estratégias de pesquisa, lançando mão de uma proposta dialética, entre as estratégias hermenêutica e analítica:
•Hermenêutica – consiste na reconstrução de processos temporais do passado de acordo com perspectivas de sentido coerentes com as intenções dos atores(agentes ou pacientes) desses processos.
•Fatores implícitos de consciência – sentido, identidade (tradição).
•A questão gira em torno de fatos que possuem qualidades de compreensibilidade.
• Tal estratégia ocupa cada vez mais espaço na produção do conhecimento histórico:temáticas do cotidiano, das mentalidades e do imaginário.
Para aprofundamento na questão hermenêutica veja Gadamer: http://www.scribd.com/doc/7248385/Gadamer-HansGeorg-Verdade-e-Metodo-I
•Analítica - reconstrução dos processos temporais do passado de acordo com as perspectivas dos contextos de causalidade, que decorrem das condições estruturais sob as quais os sujeitos ao agir e sofrer (co-)produzem tais processos.
•É uma forma oposta a hermenêutica.
•Lida com os círculos conjunturais.
•A História é entendida como coação, que os atingidos devem seguir para que possam viver.
•A questão gira em torno de sistemas complexos e estruturas econômicas e burocráticas.
•O que está em jogo é o sistema, a totalidade, o método holista e não a intenção dos atores do sistema.
Para um exemplo de método analítico veja: http://www.scielo.br/pdf/rep/v25n4/28287.pdf
•Dialética – relação de mútua influência entre as duas anteriores
•essa mediação estrutura, pois, a multiplicidade das várias abordagens metódicas das fontes na unidade “do” método histórico.
•essa estruturação integra, então, substantivamente, os diferentes campos da experiência de uma unidade constitutiva de identidade.
Referência:
RÜSEN, Jörn. Reconstrução do passado: Teoria da História II: osprincípios da pesquisahistórica. Trad. Asta-RoseAlcaide. Brasília: Ed. daUNB, 2007.
Nenhum comentário:
Postar um comentário