sábado, 2 de maio de 2009

Unidade do Método Histórico

Jörn Rüsen procura estabelecer uma unidade do conhecimento histórico, tentemos seguir sua argumentação através destas citações do texto Reconstrução do passado: Teoria da História II:os princípios da pesquisa histórica.

“(...) A pesquisa é o passo metodicamente regulado, e por isso intersubjetivamente controlável,das respostas possíveis às reais.

A pesquisa é o trabalho de responder empiricamente às perguntas históricas.

(...) A elaboração de questionamentos produtivos e hipóteses complexas de trabalho pertencem à pesquisa”(p. 105).

A delimitação do campo de operações do conhecimento histórico passa pelo “critério da referência operacional à experiência”

“(...) as informações são elaboradas e ponderadas em relação direta com o testemunho empírico do passado – o que, quando, onde, como e por que foi o caso”. (p. 106)

“(...) São as perspectivas teóricas sobre o passado humano que decidem o tipo de informação a ser extraído das fontes, e em que medida isso vai acontecer”.(p. 107)

São as regulações metódicas que possibilitam a unidade do conhecimento histórico. Estas regulações são: a formal, a material e a funcional.

Regulação formal – sincronização do progresso cognitivo com a ampliação das perspectivas. (...) de uma hipótese questionadora resulta um saber empírico material (sempre passível e capaz de aperfeiçoamento). Ela compõe a estrutura de uma história;

Regulação Material – “(...) A multiplicidade das experiências reais do passado humano é integrada, por meio da abordagem teórica do todo das experiências possíveis do passado, naunidade de uma estrutura categorial [CRITÉRIOS DE SENTIDO].” (p. 109)

“(...) [Neste sentido] é determinante a identidade respectiva dos destinatários (potenciais), a quem são dirigidas as histórias cujos conteúdos são garantidos pela pesquisa.

Materialmente (...) a unidade do conteúdo histórico, na multiplicidade dos vários procedimentos de pesquisa, é assegurada porque o progresso do conhecimento é dirigido para o movimento de reforço da identidade.

É por causa desse reforço que a pesquisa é posta em ação.

Regulação Funcional – orientação da vida humana prática mediante representações do passar do tempo.

Rüsen afirma que o conhecimento histórico pode ser definido como processo, uma vez que se entenda as histórias como respostas a perguntas e que se possa analisar o procedimento regulado, que leva das perguntas às respostas. São três as fases principais desse procedimento:

Formulação da pergunta histórica – carências de orientação no tempo são enunciadas como perguntas históricas.

Direcionamento às fontes – obter destas as informações necessárias para responder as perguntas.

Formação da resposta histórica – formular as informações obtidas das fontes como respostas às perguntas postas.

Nosso autor ainda define alguns aspectos procedimentais e operacionais que regulam a pesquisa histórica:

Heurística – procedimento de coletar, juntar de forma sistemática, de classificar as fontes relevantes, além do exame de seu potencial informativo (questionamento histórico; estabelecimento de hipóteses ainda não existentes) – o que se pode saber;

Crítica – exame dos dados históricos sobre a verdade da ação humana no passado que se orienta por critérios de plausibilidade do potencial informativo das fontes (que dados devem ser buscados) – Autenticidade, qualidade, estruturas de veracidade;

Interpretação – compreensão, explicação a partir de perspectivas teóricas com foco nas condições e conseqüências do que foi o caso. Eleva os dados do passado à condição de fatos históricos. Tornando compreensíveis os passos operativos da pesquisa, através de sua origem teórica.

O autor ainda afirma que:

“(...) O que o pesquisador aborda e obtém das fontes, como conteúdo específico do movimento histórico nas mudanças temporais do homem e de seu mundo, não é uma questão de método, mas sim de teoria.

As premissas teóricas... têm todavia conseqüências metodológicas.

Elas definem tipos de procedimento metódico no contexto processual de heurística, crítica e interpretação." (p. 114)

Preocupado em estabelecer uma unidade metodológica do conhecimento histórico Rüsen define as estratégias de pesquisa, lançando mão de uma proposta dialética, entre as estratégias hermenêutica e analítica:

Hermenêutica – consiste na reconstrução de processos temporais do passado de acordo com perspectivas de sentido coerentes com as intenções dos atores(agentes ou pacientes) desses processos.

Fatores implícitos de consciência – sentido, identidade (tradição).

A questão gira em torno de fatos que possuem qualidades de compreensibilidade.

Tal estratégia ocupa cada vez mais espaço na produção do conhecimento histórico:temáticas do cotidiano, das mentalidades e do imaginário.

Para aprofundamento na questão hermenêutica veja Gadamer: http://www.scribd.com/doc/7248385/Gadamer-HansGeorg-Verdade-e-Metodo-I

Analítica - reconstrução dos processos temporais do passado de acordo com as perspectivas dos contextos de causalidade, que decorrem das condições estruturais sob as quais os sujeitos ao agir e sofrer (co-)produzem tais processos.

É uma forma oposta a hermenêutica.

Lida com os círculos conjunturais.

A História é entendida como coação, que os atingidos devem seguir para que possam viver.

A questão gira em torno de sistemas complexos e estruturas econômicas e burocráticas.

O que está em jogo é o sistema, a totalidade, o método holista e não a intenção dos atores do sistema.

Para um exemplo de método analítico veja: http://www.scielo.br/pdf/rep/v25n4/28287.pdf

Dialética – relação de mútua influência entre as duas anteriores

essa mediação estrutura, pois, a multiplicidade das várias abordagens metódicas das fontes na unidade “do” método histórico.

essa estruturação integra, então, substantivamente, os diferentes campos da experiência de uma unidade constitutiva de identidade.

Referência:

RÜSEN, Jörn. Reconstrução do passado: Teoria da História II: osprincípios da pesquisahistórica. Trad. Asta-RoseAlcaide. Brasília: Ed. daUNB, 2007.

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